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Cover of El libro de las semejanzas (Poesia) (Spanish and Portuguese Edition): (Poesia)

El libro de las semejanzas (Poesia) (Spanish and Portuguese Edition): (Poesia)

(Paperback)

Martins Marques, Ana,

Kriller71 Ediciones (Publisher)

Published
10/9/2019
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“Houve um tempo em que se usava/ nos livros/ papel de seda para separar/ as palavras e as imagens.” Tais versos, como muitos outros deste O livro das semelhancas, expoem com o wit e a delicadeza caracteristicos da autora esse tatear entre as palavras e as coisas. Em outro poema, significativamente intitulado “Nao sei fazer poemas sobre gatos”, a autora admite - com graca e um certo veneno - que as palavras “soltam-se ou/ saltam/ nao capturam do gato/ nem a cauda”, para depois concluir, com autoironia devastadora: “sobre a mesa/ quieta e quente/ a folha recem-impressa/ pagina branca com manchas negras:/ eis o meu poema sobre gatos”. Pois gracas a esses e a outros textos, esta nova reuniao dos poemas de Ana Martins Marques parece ser a culminacao de um dos caminhos mais relevantes da lirica brasileira dos ultimos anos. Estao aqui, com uma forca que ja podia ser antecipada em seus livros anteriores, pecas que versam, sobretudo, a respeito da tentativa - sempre temeraria, mas tambem desafiadora - de recuperar o mundo e as coisas por meio da palavra. Porem a autora sabe que vivemos tempos fraturados, em que experimentamos aquilo que poderia ser nomeado como uma certa falencia da mimese, pois traduzir o real literariamente e deparar com o abismo que se interpoe entre o mundo sensivel e a folha em branco. E Ana desconfia do quanto isso tem de fragil, de problematico - e de igualmente fascinante. Dividido em quatro secoes (“Livro”, “Cartografias”, “Visitas ao lugar-comum” e “O livro das semelhancas”), esta obra desperta o leitor para o prazer sempre iluminador e sensivel de uma das vozes mais originais da poesia brasileira. Do amor a percepcao de que ha um espaco - geografico, quase - para o lugar-comum, do entendimento da precariedade do nosso tempo no mundo a graca (mineira, matreira) proporcionada pela memoria: eis uma poeta que nos fala diretamente. Ou, como diz em um de seus versos: “Ainda que nao te fossem dedicadas/ todas as palavras nos livros/ pareciam escritas para voce”.

Vidya AI